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  • Dr Rodolfo Weidmann

Até 90% dos fibromiálgicos tem outras síndromes dolorosas associadas. Saiba quais são:

Fibromialgia:

A Fibromialgia é uma condição dolorosa crônica generalizada onde as pessoas apresentam dores difusas pelos músculos, articulações e tecidos moles de todo o corpo. Os portadores de fibromialgia também sentem muitas dores ao toque, em diferentes locais de seu corpo. Além do quadro álgico os pacientes podem apresentar fadiga, distúrbios cognitivos, sintomas psiquiátricos e múltiplos sintomas somáticos. De etiologia ainda incerta e com muitos pontos em sua fisiopatologia a serem desvendados, a fibromialgia é um desafio tantos aos médicos quantos aos pacientes portadores.

Infelizmente esta condição dolorosa apresenta-se isolada em 10% dos pacientes. A outra parcela de pacientes possui, além da fibromialgia, outra condição dolorosa crônica. Muito bem discutido em um artigo recente (Slade GD.; Overlap of Five Chronic Pain Conditions.; J Oral Pain Headache,2020) a associação da fibromialgia é mais comum com a cefaléia crônica, distúrbio temporomandibular, dor lombar e síndrome do intestino irritável, sendo que associação da fibromialgia com as 4 condições citadas ocorre em até 24% e com 3 das condições em até 35% dos pacientes! É um número extremamente alto. O conhecimento destas outras síndromes dolorosas assim como seu tratamento é fundamental para o sucesso terapêutico do paciente.


Cefaléia Crônica:

As cefaléias podem ser classificadas como primárias, quando não há associação com distúrbios orgânicos ou estruturais, sendo principais exemplos a cefaléia tensional (que ocorre mais de 15 dias por mês, por mais de 3 meses) e a enxaqueca ou migrânea. As cefaléias secundárias representam 10% dos casos, envolvem outras doenças associadas. Dentre as primárias, a cefaléia tensional se caracteriza por pressão ou rigidez em ambos lados da cabeça. A enxaqueca ou migrânea apresenta um curso inicialmente leve que há piora da intensidade com evoluir do quadro. Frequentemente afetando um lado somente da cabeça. A dor apresenta característica de ser latejante. Atividades da vida diária, como caminhar ou subir escadas podem piorar a dor de cabeça. Muito comum a fotofobia e fonofobia. A enxaqueca pode causar náuseas ou vômitos. Pensamos em causas secundárias, quando há presença de alguns sinais, conhecidos como “red flags”, como presença de sintomas sistêmicos junto ao quadro de cefaléia, como perda de peso ou febre; cefaléia de inicio súbito, em pacientes com antecedente de imunossupressão, HIV ou neoplasias; presença associada de alterações neurológicas, motoras ou sensitivas; cefaléia súbita e intensa com pico aparecendo menos de 1 minuto; inicio da cefaléia ou mudança do padrão da cefaléia após 50 anos de idade.


Distúrbio Temporomandibular:

As disfunções temporomanbilulares (DTM) são comuns, sendo a terceira principal causa de dor crônica, perdendo para cefaléia e dor lombar, afetando cerca de 25% dos adultos. São responsáveis por uma morbidade substancial, afetando a qualidade de vida e a produtividade do paciente. As DTM são 1,5 vezes mais comuns em mulheres do que homens, ocorrendo na faixa dos 20 aos 40 anos idade. Seus sintomas podem estar associados a cefaléia tensional, zumbido, tontura. Não é um diagnóstico simples de ser realizado, sendo muito ainda subdiagnosticado. A dor causada pela DTM pode ser tanto articular quando muscular, ficando localizada ou irradiando para várias regiões, como face, pescoço e cervical. A articulação temporomandibular pode apresentar disfunção, crepitação, subluxação e estalito. A vários fatores que podem estar associados ao desenvolvimento do quadro de DTM, desde histórico de tratamentos odontológicos, neurológicos e fatores emocionais.


Síndrome do Intestino Irritável:

A Síndrome do intestino irritável (SII) é a síndrome disfuncional do trato gastrointestinal, pois não há evidências de distúrbios estruturais ou anatomopatológicos. Ocorre geralmente em pacientes jovens, na faixa dos 26 aos 50 anos. As mulheres e idosos apresentam mais sintomas de constipação intestinal, já os homens apresentam sintomas mais diarreicos. Há várias associações da SII com outros distúrbios, como disfunção do Trato gastrointestinal superior em mais de 20% dos casos, principalmente com dispepsia e refluxo gastroesofágico, assim como distúrbios psiquiátricos em cerca de 50% casos, com depressão, ansiedade e distúrbios alimentares. O diagnóstico da SII é realizado com os critérios de Roma de 2016, onde há necessidade dor abdominal recorrente por pelo menos um dia por semana, por pelo menos 3 meses, associada com pelo menos 2 dos seguintes critérios: dor relacionada à defecção tanto alivio quando piora da dor; alteração da frequência das fezes; alteração do formato das fezes.


Dor Lombar:

A dor lombar, ou lombalgia é um sintoma muito frequente que quase todos terão pelo menos em algum momento da vida. A lombalgia pode aparecer assustadora e mesmo quando intensa, geralmente desaparece espontaneamente dentro de algumas semanas. Porém alguns casos necessitam de atendimento médico de urgência ou indicação cirúrgica. Sugerimos avaliação médica e interrogamos necessidade de exames complementares junto ao paciente com quadro de lombalgia quando o paciente: tem histórico recente de queda ou lesão nas costas; tem dormência ou fraqueza nas pernas; tem problemas de controle urina ou fezes; perna de peso inexplicável; apresenta febre de origem não definida; paciente utilizando medicamentos imunossupressores ou doenças que comprometem o sistema imunológico; histórico de câncer ou osteoporose; dor lombar tão intensa que impede a realização de atividades da vida diária; ou dor que não melhora dentro de 4 semanas. As causas de lombalgias são muito distintas. A dor nas costas pode acontecer após distensão muscular, comum após inicio repentino de uma atividade física ou levantamento de peso ou movimento busco. Porém a lombalgia pode ser devido outros fatores, como discos intervertebrais danificados ou protuberantes; artrite nas articulações da coluna, estreitamento do canal vertebral, tumor ou infecção (estes últimos são muito raros). A indicação de exames de imagem junto ao quadro de lombalgia, como radiografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética é individualizada, sendo que na maioria dos casos não há necessidade. Geralmente solicitaremos exames complementares quando o paciente apresenta sintomas de alerta ou duração dos sintomas acima de 4 semanas.



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